Frágil – você tem tanta vontade de chorar, tanta vontade de ir embora. Para que o protejam, para que sintam falta. Tanta vontade de viajar para bem longe, romper todos os laços, sem deixar endereço. Um dia mandará um cartão-postal de algum lugar improvável. Bali, Madagascar, Sumatra. Escreverá: penso em você. Deve ser bonito, mesmo melancólico, alguém que se foi pensar em você num lugar improvável como esse. Você se comove com o que não acontece, você sente frio e medo.
15 de novembro de 2010
Contorno de um dia feliz
13 de novembro de 2010
Frango de padaria fede
- Gostei da pontualidade. – Ela disse.
Café ou chá de camomila? Queria mesmo alguma coisa ardente – Água Ardente – mas a grana está curta, meu amor, digo pra mim mesma. Hoje você toma chazinho e amanhã você pode vê-la, fazer qualquer coisa legal, como cinema, livraria, é pequena demais parar ir a algum Rock Bar, como o Morrison. Às vezes a gente precisa de emoções, coisas diferentes, vê se me entende, vida de poeta não é conformista. Quando precisa da terapia, ela não pode. Puta que pariu. Se usasse drogas ainda teria a cocaína, se fumasse ainda teria o cigarro, sorte que ama e ainda tem amor. Amor constrói, a ausência derruba. Derruba o muro, castelo, sei lá o que por mais poético que possa parecer tudo incluso num texto sem sentido. Mas você tem ainda a certeza absolutamente clara que ninguém vai derrubar teu castelo bonito dessa vez, isso traz uma paz do caralho. Já quis escrever sem vírgula, parágrafo, letra MAIÚSCULA-MINÚSCULA, mas não pode, o perfeccionismo não deixa.
Esperando o telefone tocar, qualquer coisa como oi tudo bem, tudo e você, mas de alguém especial, aquele alguém do deserto. Carência afetiva machuca, cara, mata de verdade. Fica faltando um pedaço que o drama não consegue substituir. Quando não se sabe lidar com as faltas tudo fica três vezes pior. Voltando pra Casa, quase chorando, tinha aquelas porras daqueles frangos nojentos que enfiam a lingüiça no cu pra ficar recheado, ele fedia a carne morta, graças ao capeta sou vegetariana.
26 de julho de 2010
Eu queria ser poeta
Queria ser poeta gente, não daqueles que a gente conhece só por nome. Queria escrever coisas que as pessoas decorassem fácil e pudessem recitar em segundos. Como Pessoa. Queria ter pseudônimos e cada um com uma vida diferente, queria escrever, queria fazer disso minha vida e meu modo de ver as coisas.
Eu não tenho medo de dizer o que eu penso, consigo aguentar todas as consequencias. Mas eu queria explodir todos esses sentimentos de raiva, ingratidão com o mundo, de um jeito bonito de verdade.
Um dia eu ainda serei poeta.
12 de julho de 2010
Diário de bordo do dia 11 (Pra 12)
6 de julho de 2010
3 de julho de 2010
27 de junho de 2010
- Você não pode o deixar
- Por que não?
- Gostaria que ele te deixasse?
- Ele já me deixou faz muito tempo.
25 de junho de 2010
Saudade
SAUDADE
Só nós
Sozinhos
Com nós
Sem nós.
SAUDADE
24 de junho de 2010
Para não me perder, abri a boca e os olhos e me enchi de estrelas feio ela"
Tenho tentado escrever, mas estou muito feliz para isso. Tudo tem acontecido de uma forma bem rápida, e dessa vez não tenho medo. É uma mistura de cenas. O sabor do chambinho e a brancura do lírio. Na verdade, vai além disso tudo. É o espelho mais completo de mim mesmo. Estou com vontade de escrever tudo o que sinto e tenho sentido nesses dias... mas, é complicado dar nomes as coisas assim. Porque não existe nenhuma palavra que possa ser criada, pra escrever meus sentimentos. Eles não são escritos. Sinto tanta coisa bonita. Todas as flores, todas as estrelas, todo o mar, todo,todo...tudo. Meu coração já é de alguém. Tem endereço certo. Sigo as estrelas do meu céu. Me faz um bem tão bem feito. Não consigo mais escrever. As palavras saem voando com as borboletas... Fico só sentindo as melhores partículas da face da terra. Tudo isso me basta. Isso,você-neném!
[CaioF.]
20 de junho de 2010
Que Seja Doce
Te ver lendo Caio é saber que você me conhece por completo. Estou sentindo que estou compartilhando com você a minha parte mais poética, e você entende, e você sente comigo.
A coisa mais sincera que eu posso dizer é que você foi, até agora, a coisa mais sensacional que me aconteceu. A mais bonita e que me faz perder minhas palavras.
Te amo mais do que você pode imaginar.
"E a chave que faltava, há tanto tempo, finalmente pintou." [CF]
19 de junho de 2010
Diário de um dia triste
Queria falar com alguém, não sei se essa vontade surgiu por conta do silêncio que habita nesse lugar, talvez seja por isso mesmo. Pensei em descer as escadas e conversar um pouco com os vizinhos, entretanto, lembrei que passei 14 anos sem trocar olhares com nenhum deles, não faz sentido. Pareceria despresível demais.
13 de junho de 2010
Esperança
7 de junho de 2010
Hoje não tem texto punk
Só um monte de merda sem sentido.
Essa merda está sempre com os mesmos post's "Reclamação" "Caio Fernando" ahahaha!
Sorte que ninguém lê isso mesmo...Que ódio, cara, que ódio. Acho que havia esquecido que eu tinha esse lindo coraçãozinho de ser humano decandente, e também havia esquecido que eu odeio, puta merda, faz tanto tempo que não odeio alguém... Queria um abraço bem forte da Ju agora, e nem é por que só ela lê isso... Estou meio down... E com medo... E com todas essas merdas irritantes... Eu poderia ficar aqui escrevendo textos e mais textos de revolta, dizendo que odeio deus e o mundo (deus com letra minúscula mesmo, já que trata-se de um personagem fictício) entretanto, não vai mudar porra nenhuma, prefiro ficar quieta...
Sei lá, é como se o silêncio fosse o único jeito que eu posso achar para organizar as milhares de merdas que vivem acontecendo e eu não posso fazer nada para impedir. E nem se eu ficar citando, dizendo, ou fazendo poesia bonita da minha desgraça.
Afinal, amanhã estará tudo bem.
Meu bem, hoje pode me apunhalar.
4 de junho de 2010
Caio.
"Apenas já não somos mais crianças e desaprendemos a cantar. As cartas continuam queimando. Eu tentei pensar em Deus. Mas Deus morreu faz muito tempo. Talvez se tenha ido junto com o sol, com o calor. Pensei que talvez o sol, o calor e Deus pudessem voltar de repente, no momento exato em que a última chama se desfizer e alguém esboçar o primeiro gesto. Mas eles não voltaraão. Seria bonito, e as coisas bonitas já não acontecem mais." [CF]
Hail And Kill
2 de junho de 2010
Minha mãe não me ama por que eu gosto de heavy metal.
22 de maio de 2010
Paranóia-Irritante
21 de maio de 2010
Uma história de fadas
Era uma vez, também, nesse tempo (que nem tempo antigo, era, não; era tempo de agora, que nem o nosso), um homem que acreditava. Um homem comum, que lia jornais, via TV (e sentia medo, que nem a gente), era despedido, ficava duro (que nem a gente), tentava amar, não dava certo (que nem a gente). Em tudo, o homem era assim que nem a gente. Com aquela diferença enorme: era um homem que acreditava. Nada no bolso ou nas mãos, um dia ele resolveu sair em busca do País das Fadas. E saiu.
Aconteceram milhares de coisas que não tem espaço aqui pra contar. Coisas duras, tristes, perigosas, assustadoras, O homem seguia sempre em frente. Meio de saia-justa, porque tinham dito pra ele (uns amigos najas) que mesmo chegando ao País das Fadas elas podiam simplesmente não gostar dele. E continuar invisíveis (o que era o de menos), ou até fazer maldades horríveis com o pobre. Assustado, inseguro, sozinho, cada vez mais faminto e triste, o homem que acreditava continuava caminhando. Chorava às vezes, rezava sempre. Pensava em fadas o tempo todo. E sem ninguém saber, em segredo, cada vez mais: acreditava, acreditava.
Um dia, chegou à beira de um rio lamacento e furioso, de nenhuma beleza. Alguma coisa dentro dele disse que do outro lado daquele rio ficava o País das Fadas. Ele acreditou. Procurou inutilmente um barco, não havia: o único jeito era atravessar o rio a nado. Ele não era nenhum atleta (ao contrário), mas atravessou. Chegou à outra margem exausto, mas viu uma estradinha boba e sentiu que era por ali. Também acreditou. E foi caminhando pela estradinha boba, em direção àquilo em que acreditava.
Então parou. Tão cansado estava, sentou numa pedra. E era tão bonito lá que pensou em descansar um pouco, coitado. Sem querer, dormiu. Quando abriu os olhos — quem estava pousada na pedra ao lado dele? Uma fada, é claro. Uma fadinha mínima assim do tamanho de um dedo mindinho, com asinhas transparentes e tudo a que as fadinhas têm direito. Muito encabulado, ele quis explicar que não tinha trazido quase nada e foi tirando dos bolsos tudo que lhe restava: farelos de pão, restos de papel, moedinhas. Morto de vergonha, colocou aquela miséria ao lado da fadinha.
De repente, uma porção de outras fadinhas e fadinhos (eles também existem) despencaram de todos os lados sobre os pobres presentes do homem que acreditava. Espantado, ele percebeu que todos estavam gostando muito: riam sem parar, jogavam farelos uns nos outros, rolavam as moedinhas, na maior zona. Ao toquezinho deles, tudo virava ouro. Depois de brincarem um tempão, falaram pra ele que tinham adorado os presentes. E, em troca, iam ensinar um caminho de volta bem fácil. Que podia voltar quando quisesse por aquele caminho de volta (que era também de ida) fácil, seguro, rápido. Além do mais, podia trazer junto outra pessoa: teriam muito prazer em receber alguém de que o homem que acreditava gostasse.
Era comum, que nem a gente. A única diferença é que ele era um Homem Que Acreditava.
De repente, o homem estava num barco que deslizava sob colunas enormes, esculpidas em pedras. Lindas colunas cheias de formas sobre o rio manso como um tapete mágico onde ia o barquinho no qual ele estava. Algumas fadinhas esvoaçavam em volta, brincando. Era tudo tão gostoso que ele dormiu. E acordou no mesmo lugar (o seu quarto) de onde tinha saído um dia. Era de manhã bem cedo. O homem que acreditava abriu todas as janelas para o dia azul brilhante. Respirou fundo, sorriu. Ficou pensando em quem poderia convidar para ir com ele ao País das Fadas. Alguém de que gostasse muito e também acreditasse. Sorriu ainda mais quando, sem esforço, lembrou de uma porção de gente. Esse convite agora está sempre nos olhos dele: quem acredita sabe encontrar. Não garanto que foi feliz para sempre, mas o sorriso dele era lindo quando pensou todas essas coisas — ah, disso eu não tenho a menor dúvida. E você?
Aquele do EU sozinho.
Eu fumo o que eu quiser
No God
A vida é uma puta desgraçada!
Que só quer me:
Foder
Foder
Foder
Foder
Foder
E ainda tem gente que não acredita.



