Frágil – você tem tanta vontade de chorar, tanta vontade de ir embora. Para que o protejam, para que sintam falta. Tanta vontade de viajar para bem longe, romper todos os laços, sem deixar endereço. Um dia mandará um cartão-postal de algum lugar improvável. Bali, Madagascar, Sumatra. Escreverá: penso em você. Deve ser bonito, mesmo melancólico, alguém que se foi pensar em você num lugar improvável como esse. Você se comove com o que não acontece, você sente frio e medo.
"A alguma coisa no jeito que ela se move que me atrai como nenhuma outra. Alguma coisa em seu jeito me agrada, algum lugar em seu sorriso, ela sabe, não preciso de outra. Alguma coisa em seu jeito, ela sabe. E tudo o que eu tenho de fazer é pensar nela."
Esse eu realmente dedico a você.
"Não sei quanto tempo durou. Sei que de repente a gente se afastou e, olhando um pro outro, começamos a rir feito loucos outra vez."
Gal começa a cantar Lily Braun ao fundo, acabo sempre rindo e dançando um pouco. Muito carinho.
9 de março de 2010
"Havia uma espécie de frio egoísmo em ambas que as atraía mutuamente e simpatizaram uma com a outra por uma insípida semelhança de comportamento e a necessidade geral de compreensão que ambas tinham."
A vida é mesmo engraçada… posso contar no mínimo 5 garotas que querem me beijar, me amar, me abraçar, meter me ter ao lado sempre… Posso enumerar as quantas fazem declarações de amor inesperadas, as quantas me seguem com o olhar… as quantas eu posso beijar por aí, e que são bem melhores do que a únicaque eu desejo e que não me quer mais.O amor é masoquista.
Pra você guardei o amor
Que nunca soube dar
O amor que tive e vi sem me deixar
Sentir sem conseguir provar
Sem entregar
E repartir.
Pra você guardei o amor
Que sempre quis mostrar
O amor que vive em mim vem visitar
Sorrir, vem colorir solar
Vem esquentar
E permitir.
Quem acolher o que ele tem e traz
Quem entender o que ele diz
No giz do gesto o jeito pronto
Do piscar dos cílios
Que o convite do silêncio
Exibe em cada olhar.
Guardei
Sem ter porque
Nem por razão
Ou coisa outra qualquer
Além de não saber como fazer
Pra ter um jeito meu de me mostrar.
Achei
Vendo em você
E explicação
Nenhuma isso requer
Se o coração bater forte e arder
No fogo o gelo vai queimar.
Pra você guardei o amor
Que aprendi vendo meus pais
O amor que tive e recebi
E hoje posso dar livre e feliz
Céu cheiro e ar na cor que arco-íris
Risca ao levitar.
Vou nascer de novo
Lápis, edifício, tevere, ponte
Desenhar no seu quadril
Meus lábios beijam signos feito sinos
Trilho a infância, terço o berço
Do seu lar.
Hoje eu não sinto sua falta. Hoje águas silenciosas correram por meu corpo enquanto pensava em ti. Então abri um livro antigo que nunca havia lido e retomei minha leitura hereditária.
Amanhã será outro dia e você está se apagando junto com aquele papel preso ao meu guarda-roupa onde escrevi meu primeiro soneto de amor que jamais fora recitado por mim. Peguei aquele meu cd com aquela música que você costumava dizer que se tinha haver com nós. E realmente pensei em alguém – Um alguém cujo nome não é dito da mesma forma que o seu.
Pela primeira vez em cerca de meses ganhei a rua com aquele meu sorriso falso que você nunca presenciou, e amanhã provavelmente farei a mesma coisa.
E esse é o meu jeito de me proteger.
"Te escrevo, enfim, me ocorre agora, porque nem você nem eu somos descartáveis."
Eu tenho um ermo enorme dentro do olho. Por motivo do ermo não fui um menino peralta. Agora tenho saudade do que não fui. Acho que o que faço agora é o que não pude fazer na infância. Faço outro tipo de peraltagem. Quando eu era criança eu deveria pular muro do vizinho para catar goiaba. mas não havia vizinho. Em vez de peraltagem eu fazia solidão. Brincava de fingir que pedra era lagarto. Que lata era navio. Que sabugo de milho era um serzinho mal e igual a um filhote de gafanhoto. Cresci brincando no chão, entre formigas. De uma infância feliz e sem comparamentos. Eu tinha mais comunhão com as coisas do que comparação. Porque se a gente fala a partir de ser criança, a gente faz comunhão: de um orvalho e sua aranha, de uma tarde e suas garças, de um pássaro e sua árvore. Então eu trago das minhas raízes crianceiras a visão comungante e oblíqua das coisas. Eu sei dizer sem pudor que o escuro me ilumina. É um paradoxo que ajuda a poesia e que eu falo sem pudor. Eu tenho que essa visão oblíqua vem de eu ter sido criança em algum lugar perdido onde havia transfusão da natureza e comunhão com ela. Era o menino e os bichinhos. Era o menino e o sol. O menino e o rio. Era o menino e as árvores.
- Manoel de Barros
5 de março de 2010
Eu sei que o tempo não estava a favor
Eu vi que enquanto esteve se esforçou
Deixei que fosse como deveria ser
Mas sei que o seu melhor nunca esteve aqui...
E agora eu entendo
Que nunca houve um bom momento...
Pra me dizer o que te queimava por dentro...
E eu te agradeço por tentar participar um pouco do meu mundo.
[Meu amor, agora tenho as unhas azuis e do vão entre meus dedos brotam cachoeiras, assim como escorrem arroios clandestinos destes dois olhos que nada mais devem ao mundo a não ser os pedidos de louca fantasia que fizeram há cinco segundos atrás para o mundo. O inferno é cruel com aqueles que sangram através das bochechas, então tatuarei tuas sobrancelhas nas minhas cicatrizes, sinto que está tudo tão pesado e que não despencamos, pois a força-mágica-protetora-dos-amantes-habitante-da-nicotina zela por nossos corações autênticos e que só sentaram em bancos escolares para aprender como cutucava-se profunda e profanamente uma ferida durante a vida inteira. E-u t-e a-m-o b-e-m m-a-i-s q-u-e u-m-a c-a-n-ç-ã-o, m-a-s n-ã-o m-e d-i-g-a q-u-e a-s f-o-l-h-a-s d-e z-i-n-c-o t-e e-n-t-o-r-p-e-c-e-m o-s s-e-n-tidos. Euteamo e que seja palavra a ponto de salgar minha saliva e eu vomitar pelas ruas euteamo euteamo euteamo euteamo com a porosidade dos cabelos alisados. Sou um punhal com medo das tuas mãos, quero pertencer a tua coleção e tenho pavor dos teus cílios, confusão-confusão, eu te amo algumas milhares de vezes por segundo.]
Em sua beleza afago os meus desejos,
Em seu calor me vejo a delirar,
E no delírio louco do seu beijo
Perdi minha razão pra contornar.
E tanto mais que ontem
Te devoro,por te querer,
Sem mais poder voltar.
Não posso mais voltar á fase antiga
Pois este coração quer mais te amar.
Na noite,adormeci em tua lembrança,
Tentei,não consegui te evitar.
E na manhã te tive como herança,
Desse amor que está no peito a reinar.
Queria encontrar certas palavras pra te dizer,
Que todo este querer me faz tão bem,
Mas não sei se amanhã
Terei que me acabar pra te esquecer.
Mas hoje eu acredito
No futuro tão puro,
Deste amor a caminhar,
E sei que toda noite no escuro
Eu vou sentir saudade de te amar.
Olhar em seus olhos e vê-los sorrindo,
Beijar tua boca,
Abraçar-lhe,sentindo
Acariciar a sua face
E todo o seu corpo.
E do meu amor sincero ir lhe cobrindo.
Deitar-lhe no solo frio,
E deixar que seu corpo todo
Toque nas regiões sombrias,
Com gosto de vida e morte,
De fogo!
Puxar você pelo braço
E deitar me ao seu lado
E mostrar-lhe que te amo,
Esquecendo o passado.
23 de fevereiro de 2010
Olho para o horizonte
Vejo um barco a vela
Assim, de longe
A bordo um homem magro
Retratado pela angústia
Braços largos
Tatuados e peludos
Ouro pelo corpo
Parada, na pedra do porto
Mulher carente
A espera do barco que irá voltar
Criança nas mãos
Pernas abertas
A troca de tostões
Mentalidade fútil
Ele chega
A espanca com as mãos
Que acariciaram seu rosto
Agora são armas tolas
Ela recita textos de cabaré
Dedos a enforcam
Braços a estrangulam
Sem perder forças ela reluta
Vaca, vádia, vagabunda
Puta. Morra. Moribunda
A toa levanta do chão
O ferre com sua faca afiada
Uma faca em seu coração
Agonizando de dor ele diz
Ah, vadia infeliz
De seu navio a dama toma posse
Com seu pequeno pirata virado a morte
Seguindo para o fim de mundo distinto
Acende um cigarro com seu fósforo perdido
A criança, nunca mais a vi
Mas quando vejo o horizonte
Lembro do barco
Que com ele
Sempre sonhei em partir.
(CarolM.A)
Bom, esse post eu dedico a alguém, uma garota que às vezes me faz uma tremenda falta. Poesia não pode ser explicada por quem a recita. Pois sendo um mar de sonhos necessita ser estudado por cada pensar. Cada vez ouvida ela cria uma forma diferente, e as palavras vão se modificando de uma forma única e sensacional. Esse texto aí em cima é bem complicado de ser compreendido, bom, o escrevi hoje e fiquei surpresa com a interpretação que tive no final ao reler e pensar bem. Tem vezes que escrevo certas coisas por puro impulso e depois que releio tenho uma visão diferente da que tive no começo... Ah, é bem estranho mesmo – Eu mesma não entendo – Mas que fique claro e sublinhado minha paixão por piratas, barcos, veleiros, navios.
Igual a que você possuiu.
Hoje me lembrei do dia em que me disse que tudo era uma ilusão do tempo. E que logo sumiria. Você e seu valeiro. A procura de um mar distante.
21 de fevereiro de 2010
Eu te amo, eu te amo por te odiar
Eu te odeio, odeio, odeio, te odeio tanto que chego a amar.
O que me resta de você são apenas algumas músicas, uns livros e meus pensamentos.